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Tópicos parciais extraídos do livro Elaboração de Projetos - Teoria & Prática

08) Avaliação do projeto - aspectos privados.

Há inúmeros esquemas utilizáveis para avaliar-se um projeto de investimentos. A Figura 1.4 ilustra uma possível alternativa. Os três itens principais são segmentados por questões de ordem prática, todavia as abordagens são fortemente inter-relacionadas.


No quadro acima são consideradas duas possibilidades de avaliar o resultado econômico de um projeto de investimentos, com base no seu fluxo de caixa: rentabilidade do ativo total (ra) e rentabilidade dos recursos próprios (rPL). O primeiro indicador é obtido levando em conta o investimento total e as receitas e custos totais, sem computar as despesas financeiras. Para o segundo índice, é relevante o fluxo de caixa do empreendedor, eqüivalente ao fluxo de caixa do projeto, subtraído do fluxo de caixa originado do endividamento. A rentabilidade do ativo total interessa a todos os estruturadores do passivo, de vez que partilharão de alguma forma os resultados do projeto, que se espera remunerar o capital total aplicado independentemente de sua origem. O retorno sobre os recursos próprios diz respeito diretamente aos investidores em capital de risco (capital próprio) sendo menos interessante sob a ótica dos credores.

A avaliação da viabilidade econômica de um projeto, visto como um todo, é feita com base na comparação entre a taxa de rentabilidade do ativo total com uma taxa de juro que reflita o custo dos recursos totais empregados. Sob a ótica exclusiva do sócio, o grau de atratividade de um projeto depende da comparação entre a taxa de rentabilidade dos recursos próprios aplicados e a taxa de rentabilidade desejada. Um projeto é econômicamente viável quando sua taxa de retorno é maior do que o custo de oportunidade dos recursos totais utilizados no projeto. A atratividade para os investidores, será maior ou menor, à proporção que o retorno sobre o capital próprio supere a rentabilidade mínima desejada, para um dado nível de risco.

Um negócio pode ser econômicamente atrativo mas suas exigências de recursos excederem a capacidade de mobilização dos empreendedores. Para que um projeto seja financeiramente viável é necessário que haja compatibilidade entre os usos e as fontes de recursos, dos pontos de vista de solvência e liquidez. O empreendedor pode evidenciar capacidade econômica - ou seja - é detentor de patrimônio pessoal compatível com sua participação prevista no negócio. Todavia, se os bens são de baixa liquidez , (grau de dificuldade para serem convertidos em dinheiro), eventualmente podem não ser adequados ao projeto. Ou seja, há risco de que os recursos próprios não entrem no caixa do projeto às épocas necessárias. Outra possibilidade seria a falta de disposição ou falta de características legais indispensáveis à constituição de garantias reais exigidas, se for o caso, por parte dos financiadores de longo prazo.

Finalmente, há a possibilidade de que a viabilidade financeira de um projeto dependa da participação de crédito bancário, de longo prazo, sob condições de juros, prazos e garantias, compatíveis com as características do negócio. Esta é uma das razões pelas quais são elaborados projetos de viabilidade econômico-financeira de investimentos: procurar mobilizar fontes de recursos indispensáveis para complementar o capital próprio dos empreendedores, quando estes não são suficientes, seja através de capital de risco ou de capital de empréstimos e financiamentos.

Na verdade, sem sombra de dúvidas, pode-se afirmar que uma das maiores restrições ao processo de desenvolvimento da economia brasileira, consiste exatamente nas deficientes estruturas do mercado de capitais e do mercado financeiro, que não financiam investimentos de longo prazo em atividades produtivas, nos volumes e sob condições adequadas.

Inúmeros fatos explicam essa realidade. Em primeiro lugar, o secular e crônico processo inflacionario brasileiro criou incertezas insuportáveis aos agentes econômicos, para tomarem decisões de poupar e investir, sob uma perspectiva de longo prazo. Como corolário desse aspecto, os poupadores imbuíram-se da ilusão monetária, raramente tendo uma correta percepção das taxas de juros reais praticadas. Adicionalmente, além do imposto inflacionário, o setor governamental, em todas as esferas, na ausência de mecanismos sociais adequados de controle, utiliza-se do endividamento público, disputando a poupança privada e elevando as taxas de juros de mercado. Emprestar ao governo a curtíssimo prazo, com títulos indexados à inflação, oferece menos risco do que financiar atividades produtivas. Dessa forma, o sistema bancário brasileiro acostumou-se a intermediar a captação da poupança privada para emprestá-la ao governo.

Na momento atual, estão sendo instituídas pelo governo, medidas de apoio ao financiamento das pequenas e médias empresas. Nesse contexto, a elaboração de projetos devidamente fundamentados, será um elemento fundamental, para que boas idéias se materializem em bons negócios

As questões anteriores, levam ao último, mas não menos importante aspecto envolvido na elaboração e análise de projetos de investimentos : os riscos envolvidos. Risco pode ser entendido como a possibilidade de perda ou de ser obtida rentabilidade inferior àquela considerada para deflagrar a decisão de investir. Há o risco do negócio em si mesmo, que independe de quem o está financiando. Também é chamado risco de ativo ou risco operacional. Quanto ao risco financeiro, suponha para ilustrar o negócio da exploração de um táxi. O lucro ou prejuízo sofrerão forte influência das variações nos preços do combustível utilizado. Este grau de incerteza existirá, independentemente de quem está financiando o investimento. As receitas das tarifas devem cobrir as despesas de uso do veículo e reembolsar o valor correspondente ao investimento efetuado na sua aquisição. Todavia, se o empreendedor utilizar exclusivamente seu próprio dinheiro na compra do veículo, o risco financeiro será somente o de não obter a rentabilidade que gostaria. Todavia, se houver adquirido o bem com 100% de financiamento, além de correr o risco quanto à rentabilidade do capital próprio, suporta também o risco de não poder pagar a dívida assumida. Ou seja, os fatos econômicos que influenciarão as receitas e os custos, antes de levar-se em conta quem bancou o investimento, exercerão diferente impacto sobre o risco financeiro, consoante a composição e os custos dos recursos utilizados.

Todo negócio deve ser avaliado observando-se os três aspectos explicitados: econômico, financeiros e os riscos a ele associados. Um melhor entendimento de todos os aspectos considerados será obtido no decorrer do curso quanto esses assuntos serão aprofundados.

Fonte: "Manual VPS de Elaboração de Projetos"
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ilmar Pereira dos Santos