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Por que empresas maduras quebram?
Não
é sem grande surpresa que a grande maioria das pessoas presencia
com desconfortável freqüência notícias sobre a quebra de empresas de
porte expressivo, aparentemente sólidas,
detentoras de marcas fortes. Surge naturalmente a questão "Por quê?".
Tentar responder a essa
indagação, em essência,
é o que nos propomos a seguir, focalizando
alguns dos aspectos vitais que envolvem a gestão de empresas maduras.
Sob
a ótica da teoria da administração
financeira o principal objetivo de uma
empresa é maximizar a riqueza de
seus proprietários. Para alcançar
esse objetivo necessita gerar
lucros e recursos internos crescentes, aproveitando oportunidades de crescimento
em uma perspectiva de longo prazo. Uma empresa
em crescimento proporciona lucros e
recursos internos crescentes, reinvestindo
em ativos fixos,
aquisição de tecnologia e capital
de giro. Inversamente, uma empresa em declínio evidencia lucros baixos
relativamente ao investimento, ou decrescentes, com vendas estáveis
ou decrescentes. Um marco diferencial entre
essas situações é a forma pela qual são identificadas e realizadas as
novas oportunidades de investimento. A
premissa subjacente é que a estagnação a longo prazo leva à
perda de espaço para concorrentes mais eficientes
e ainda torna a empresa
vulnerável a oscilações nas atividades econômicas, mesmo de natureza conjuntural.
Uma
empresa pode estagnar,
tornar-se obsoleta e entrar em declínio, ao
deixar de realizar investimentos que assegurem competitividade, ou ainda,
adotando estratégias de
crescimento inadequadas. Na
primeira situação, há
numerosos fatores que restringem as possibilidades de
realização de oportunidades
de investimentos, tais como :
·
Aversão ao risco adicional de novos investimentos, por parte dos
sócios, inclusive de assumir dívidas de longo prazo.
·
Comportamento centralizador dos sócios, não admitindo partilha
de poder.
·
Interesses maiores fora da empresa, motivando retiradas de
recursos para atender outros objetivos pessoais dos sócios.
·
Disputas familiares.
·
Insuficiência na geração interna de recursos.
·
Inexistência de processos para identificar oportunidades de
investimento.
·
Fraqueza do mercado de capitais para viabilizar recursos próprios.
Na
segunda situação anteriormente apontada, referente à adoção de estratégias
inadequadas de crescimento, ilustram-se a seguir algumas situações comuns que se observam de forma combinada
ou isoladamente.
Dispersão de recursos
- A empresa perde o foco, orientando-se para o crescimento externo, mesmo quando dispõe
internamente de oportunidades atrativas inexploradas. Cria-se dispersão de
recursos de capital e humanos. Nesse
caso não é estabelecida uma estratégia de crescimento visando
a obtenção de vantagens competitivas permanentes para
a atividade principal. Não
é incomum que sociedades controladas sejam
constituídas com administrações interdependentes, transferindo-se
custos das ineficientes para as eficientes, comprometendo o desempenho global.
É abandonado o princípio de que as funções incorporadas nos novos
empreendimentos, devem ser desempenhadas a custos competitivos tomando-se parâmetros
de mercado, caso contrário não se justificariam.
É bastante freqüente que investimentos externos sob a forma de
participações acionárias majoritárias resultem
em empresas ineficientes que comprometem definitivamente o negócio principal.
Estrutura de capital imprópria para novos
projetos - Há situações em que uma
empresa capitalizada e sadia busca
crescimento, instalando-se em
outras áreas geográficas, realizando investimentos que representam uma proporção
relativamente pequena do ativo existente. A justificativa da expansão pode ser
redução nos custos de distribuição para aquelas regiões, conquista de novos
mercados, ou melhor qualidade no
atendimento pós-vendas. A
expectativa de que a expansão pode ser consolidada com facilidade, leva a
desinvestimentos em capital de giro ou a endividamento bancário de curto prazo.
Se durante a fase de maturação desses novos investimentos a economia
nacional retrair-se e as vendas da
empresa diminuírem, origina-se uma pressão ao crescente endividamento de curto
prazo. Uma vez deflagrado o processo de declínio,
é acompanhado da diminuição da confiança dos parceiros comerciais,
finalizando em descontroles sucessivos
cujo desfecho é a quebra.
Compra equivocada de empresa - Há vezes em que uma empresa
financeiramente saudável, com
limites de créditos bancários compatíveis com seu porte, compra outra de
tamanho maior com problemas financeiros graves.
A compra pode ser efetuada
para pagamento a prazo aos
vendedores, na expectativa de que
os recursos futuros sejam obtidos na própria compradora em sua atividade
principal. Em decorrência dos compromissos decorrentes dessa aquisição
alavancada, são
canalizados recursos para fora de ambos os negócios - para pagamento aos
antigos proprietários. Na hipótese de haverem sido subestimadas as
necessidades dos investimentos e dos esforços a serem efetuados
na empresa adquirida, ou superestimada a sinergia esperada, cria-se um dreno de recursos humanos e de capital que
debilitará os negócios
consolidados. De um lado a
adquirente torna-se incapaz de
aportar novos recursos próprios
na empresa adquirida, e, de outro, bancos financiadores e parceiros
comerciais da compradora passam a encará-la como de maior risco, criando
restrições de crédito. A investidora não soluciona as dificuldades da
empresa adquirida e passa a enfrentar crescentes dificuldades no seu negócio
principal.
Crescimento desordenado -
Há
ocasiões em que uma empresa se defronta com dificuldades leves, de
natureza conjuntural, que poderiam ser solucionadas mediante
gestão do capital de giro, em uma perspectiva de curto ou médio prazo.
Baseada em experiências passadas bem sucedidas, eventualmente arrojadas, são
buscadas soluções através do crescimento da atividade via novos investimentos
em ativos fixos. Ou seja, a empresa que obteve
sucesso no passado através do crescimento rápido e expressivo conclui
que a mesma fórmula pode ser repetida com êxito, ainda que a origem dos
problemas não seja da mesma natureza. Julga que pode contornar os problemas
existentes, aumentando sua escala, ou investindo em novos negócios para
diversificar suas atividades.
Na verdade, muitas vezes está
sendo aumentada a dimensão dos problemas, de
vez que suas causas não foram identificadas e removidas.
O melhor caminho poderia ser
exatamente no sentido inverso: concentração no
foco principal e maior especialização,
melhor seleção da linha de produtos,
redução do tamanho etc.
Em
todos os casos acima descritos, um
primeiro fator comum explicativo das dificuldades originadas,
seria a ausência de diagnósticos
precisos sobre as situações existentes. Uma
segunda explicação possível,
dentre outras, estaria relacionada
a posturas gerenciais inadequadas frente ao risco empresarial associados à cada
empreitada. Ambas merecem ser tratadas em matéria à parte.
Vilmar Pereira dos Santos
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